Violência a mais
Os meios de comunicação social trazem até nós diariamente notícias arrepiantes. Pais que matam os filhos, filhos que matam os pais. Jovens violentos que agridem colegas até à morte. Até crianças já bastante violentas. Muita gente pensa que a violência dos filmes e séries de televisão concorrem muito para isso. Mas hoje, são sobretudo os jogos vídeo que apresentam as situações mais inacreditáveis, como aquelas em que, para se passar para um nível superior de dificuldade, obrigam a destruir, torturar e matar. |
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O assunto não pode ser descurado. O Ministério da Cultura e da Comunicação de França recebeu o Relatório Kriegel sobre a violência nos ecrãs, elaborado nos últimos meses por um grupo de 38 pessoas entre psicólogos, jornalistas, editores, pediatras, sociólogos, magistrados e especialistas dos media. De entre as propostas que apresentou destacam-se, nomeadamente, as seguintes: proibir programas violentos ou pornográficos no período compreendido entre as sete da manhã e as 22h30; colocar os conteúdos pornográficos (considerados uma forma específica de violência) fora do alcance das crianças, através da encriptação e da colocação desse tipo de conteúdos fora dos pacotes gerais da TV por cabo; exigir à comissão de classificação de espectáculos que, além do cinema, estenda a sua acção às séries, aos desenhos animados, às cassetes vídeo, aos jogos vídeo, ao DVD e, progressivamente, à lntemet; aumentar o montante das multas pecuniárias às televisões que não cumpram as leis, instituir nos canais de TV uma sinalética positiva, para dar conta de programas interessantes para os mais novos; investir muito mais nas emissões educativas e na educação para um uso crítico dos media, tanto na televisão como na escola.
Claro que esse relatório suscitou logo em muitos intelectuais o medo do moralismo e da censura. Mas sem controle moral não há sociedade que resista.
M. V. P.